terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Turismo profissional no Brasil

Enviei o seguinte texto para Band News FM na data de hoje e compartilho:

Boechat, gostaria de levantar um tema que é de extrema relevância para o Brasil, no setor do turismo. Sou empresário e tenho uma operadora de turismo devidamente credenciada em todos os órgãos competentes do setor, seguindo todas as normas que constituem um serviço de qualidade e de segurança na elaboração de pacotes e excursões. Porém, o que muito se vê são pessoas elaborando viagens e as comercializando sem nenhum registro, tampouco com empresa constituída. Anunciam livremente na internet, sem profissionais do ramo conduzindo, sem seguro e sem contrato. Seus preços são abaixo do valor de mercado por não precisar recolher tributos, muitos deles trabalham em casa, ou seja, não tem aluguel, funcionários e todos seus encargos, etc.

Um país que vai sediar um copa do mundo e as olimpíadas tem que coibir práticas e comércios desta natureza. Trabalhamos no Rock in Rio e nos deparamos, por exemplo, com motoqueiros e kombis bem antigas oferecendo traslados ao aeroporto e hotéis. Um absurdo! Imagine isso na copa!

Excursões para shows, o cidadão comum freta um ônibus, anuncia nas redes sociais, bem baratinho, vai de graça e ainda compra caixas de cerveja e outras bebidas e vai fazendo a festa. Capaz ainda de fazer um dinheirinho e pegar gosto pela coisa. Quem fiscaliza? Ninguém! O mesmo acontece com romeiros, excursões escolares e viagens para partidas de futebol.

Existe o guia de turismo para conduzir excursões, profissão regulamentada tendo o profissional habilitado para qualquer situação de risco ou simples orientação. Existe o turismólogo que fez uma faculdade de 5 anos com conhecimentos suficientes para gerir uma agência de viagens. Hoje, qualquer um abre uma agência (quando abre), com um índice de mortalidade empresarial enorme, por achar que ter uma agência é tão belo como viajar.

Nosso Ministério do Turismo pouco ou nada se preocupa com este setor. Não há leis claras ou mesmo fiscais. Não observo campanhas ou incentivos por parte do governo em promover cursos de idioma para recepcionistas de hotéis, garçons ou guia de turismo. Aqui em Curitiba até há cursos gratuitos de idiomas promovidos pelo governo do Estado, mas são pouquíssimas vagas e muito concorridas. Observe que o atual ministro, o exmo sr Gastão Dias Vieira, exercia a função de presidente da Comissão Especial do Plano Nacional de Educação (PNE), antes de assumir a pasta. Seu currículo nada tem a ver com o turismo, mas ele poderia usar de sua vasta experiência na Educação para promover cursos e capacitar melhor quem vai receber os estrangeiros. Um país tão belo e tão acolhedor como o nosso vai ter que se virar muito na mímica e no "enroleixon" para se fazer entender.

Gostaria de registrar minha indignação pela falta de uma política de regulamentação, legislação e fiscalização no setor do turismo, bem como minha preocupação com eventos tão magnânimos que vão nos deixar à mercê de chacotas no exterior por conta deste amadorismo despreparado e, em muitos casos, ilegal.

Para finalizar, gostaria de deixar uma dica para quem quer saber se uma empresa de turismo é devidamente cadastrada. Basta entrar no site www.cadastur.turismo.gov.br clicar em Prestadores, selecionar o tipo de serviço (por exemplo agência de turismo), e digitar o nome fantasia ou CNPJ. Se a resposta for "Sem resultado para a pesquisa", não compre. E, mesmo tendo o registro, ainda vale pesquisar em sites de reclamação de serviços se há algum histórico favorável ou não

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